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15/02/2007 - Arranjo para violão> Manhã de Carnaval

 Confira alguns dos recursos utilizados na criação de arranjos para violão solo.


 Arranjo de "Manhã de Carnaval" :


(versão ampliada da lição originalmente publicada na Newsletter de 25/08/06)


Ainda neste semestre será lançado o volume II do álbum "Violão Brasileiro Contemporâneo: Arranjos para violão de Conrado Paulino" (veja o Volume I na loja virtual do site).
Enquanto não fica pronto, os alunos virtuais do nosso site recebem um adiantamento: uma pequena parte do arranjo de Conrado para o clássico de Luiz Bonfá "Manhã de Carnaval".

Observando o arranjo, há algumas recursos que vale a pena analisar:

 1)Harmonia: Ao longo de todo o arranjo encontramos uma interessante rearmonização sem, no entanto, chegar a utilizar soluções radicais. Ou seja, a harmonia permanece tonal e não há modulação.
A tonalidade do arranjo é Am, como na conhecida versão do mestre Baden Powell. O acorde de função tonica do primeiro compasso (Am7) foi substituido pelo V do V do V do Im (no caso, F#7/B7/E7/Am7). Como a melodia é "dó", esse primeiro acorde tem #11. A #9 aparece devido à movimentação das vozes internas (veja mais explicações no próximo ítem)
Junto com o B7 (V do V) aparece também um F7 (subV do V), dando maior movimentação às vozes. O recurso de somar o SubV ao V, largamente utilizado neste arranjo (compassos 2, 5, 6, 8, 9, 10, 11 e 13), é muito comum em toda a música moderna.

 2) Encadeamento:  Há vários casos de vozes internas bem encaminhadas, que fazem o tecido harmônico do arranjo. Ou seja, há uma preocupação em manter o controle e a perfeita condução das vozes do acompanhamento. Isso significa que os acordes não foram escolhidos pelo seu "desenho" e sim pela movimentação das vozes internas, sempre pensando qual é o acorde anterior e o posterior.
Por exemplo, no primeiro compasso há uma voz secundária que sai da #9 do primeiro acorde (o sol dobrado sustenido do F#7) e chega até o "mi" do 3° compasso, quando se funde com a melodia. Acompanhe: a #9 de F#7 (sol dobrado sustenido) cai na 13a de B7 (sol#), cai na 9a de F7 (sol natural), cai na 9a e depois na 9b do E7 (Fa# e Fa ) até se encontrar com o "mi" da melodia.
Observe, acompanhado da partitura, outro exemplo: no compasso 9, a 7a maior do Dm (do#) é conduzida para a 7a menor (do natural) que, pela sua vez, é a 3a maior do Ab7 (SubV do V do bIIIMaj7). No compasso seguinte, essa nota "do" permanece como 4a do G7(4), resolve na 3a maior (si natural) e permanece como 7a menor do Db7 (SubV do bIIIMaj7).

 3) Tensões: Note o uso dos retardos, como a sétima maior em acorde menor (compassos 3, 5 e 9), a quinta aumentada em acorde maior com 7a maior (compasso 7) e o uso da 4a nos dominantes, retardando o aparecimento do trítono (compassos 10 e 14).

 4) Linha de Baixo: Neste arranjo encontramos a linha de baixo básica, não uma melodia independente. A condução dessa linha está - na medida do possível - bem resolvida, evitando saltos desnecessários. Devido à rearmonização, quase não há inversões.
O uso de inversões na linha de baixo é uma das diferenças que encontramos frequentemente entre arranjos de mpb e arranjos de jazz: neste estilo, é comum rearmonizar e ainda inverter os acordes, deixando a harmonia mais aberta e, consequentemente, mais difícil de entender. O grande pianista Bill Evans se destacou por explorar esse conceito ao extremo, de forma que a harmonia formava um tecido harmônico difuso, sem deixar o acorde "explicado" através das notas graves. Por esse motivo, o estilo dele é chamado de "impressionista" (numa alusão ao impressionismo nas artes plásticas).

Obs: Na versão do site há algumas pequenas diferenças com a versão da partitura.



        Ouça o arranjo de Manhã de Carnaval tocado por Conrado Paulino
      
        Ouça outros arranjos acessando a página de Audio Samples

         Veja a partitura








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