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07/08/2010 - Violão & Guitarra: Liberdade rítmica: deslocando as frases


 Confira este exercicio cujo objetivo é ajudar a aplicar as escalas e criar idéias, auxiliando no desenvolvimento da musicalidade e creatividade

 (Esta lição foi publicada originalmente na NewsLetter do dia 3 de março de 2009)


 Nova Lição: Deslocando as frases:  


Dentro do estudo de escalas há uma grande variedade de exercícios, sendo que o objetivo da maioria deles é aprender quais são as notas certas (teoria) ou onde estão essas notas e com qual dedo tocá-las (técnica). Mas, existem também exercicios cujo objetivo é ajudar a saber como tocar essas notas, auxiliando no desenvolvimento da musicalidade e creatividade. É isso que mostraremos nesta lição. Mas, atenção: o assunto pode ser um pouco complexo de entender, por isso, leia atenta e calmamente o texto e acompanhe a explicação com a leitura da partitura e assim tudo ficará claro.

> Entre os elementos que podemos trabalhar para melhorar a criatividade rítmica há dois fundamentais: a variedade e a liberdade rítmica. Desenvolver grande variedade rítmica permite ao instrumentista utilizar muitas figuras (e não apenas as básicas de cada estilo, como as semicolcheias no choro ou as colcheias no jazz), tornando suas composições e improvisações mais ricas do ponto de vista rítmico. Já conquistar liberdade rítmica permitirá desenvolver habilidades mais complexas relativas ao ritmo, como tocar divisões menos intuitivas ou menos óbvias, trabalhar com quiálteras ou compassos incomuns, passar com facilidade de uma figura para a outra ou tocar células melódicas pares com figuras impares (e viceversa), entre outros desafios. 
Caso o aluno não trabalhe esse quesito, seu solos (ou composições) poderão ficar pobres ritmicamente, já que ele irá tocar apenas aquilo que a sua intuição lhe dita.

Um dos caminhos para "soltar" a mente e não ficar apegado às divisões mais comuns é mudar uma determinada frase de lugar, isto é, deslocar a frase em relação ao seu lugar original no compasso.  
É isso que mostra o Exemplo 1, através de uma frase muito simples de cinco notas. A primeira alternativa é a mais básica pois coincide com o tempo forte, isto é, começa no 1° tempo e resolve no 2° (não há alternativa mais simples do que essa). Repare que basta antecipar a frase uma semicolcheia para torná-la mais interessante e suingada, de forma que começa e termina numa síncopa (compasso 5).
O ideal deste exercício seria tocar a frase - de preferência, sem ler a partitura - colocando-a em qualquer lugar do compasso, seja começando na 3a semicolcheia do compasso anterior, na 2a semicolcheia do 1° tempo ou na 1a semicolcheia do 2° tempo, entre outras alternativas. 

O Exemplo 2 e o Exemplo 3 vão mais além no desenvolvimento do conceito de deslocamento de frase, adicionando outras células rítmicas. Repare que aplicando a frase sobre a célula 1 e analisando apenas o primeiro tempo, a mais longa das três notas do primeiro tempo é a terceira (compasso 5). Porém, aplicando a mesma frase sobre a célula 2, a nota mais longa é a primeira (compasso 9). Já na célula 3, das três notas que há no primeiro tempo, a segunda nota é a mais longa (compasso 13).
A idéia é manter o mesmo padrão ao deslocar a frase. Por exemplo, note que nos compassos 21, 26 e 31 permanece o padrão da Célula rítmica 1, onde, como afirmamos antes, a nota mais longa é a terceira. Isso pode dar a falsa impressão de que o exemplo do compasso 21 é igual ao do compasso 13, ou que o exemplo do compasso 26 é igual ao compasso 9. Mas, embora iguais do ponto de vista rítmico, são diferentes do ponto de vista melódico, e é esse o objetivo de aprender a deslocar as frases: colocar uma idéia melódica em qualquer lugar de um compasso, mantendo a duração das notas. 

Ouvindo o playback é possível perceber a importância da divisão rítmica na construção melódica, principalmente na questão do suingue (ou balanço). Observe que, embora tenha as mesmas notas, a alternativa do compasso 31 é muito mais suingada que a do compasso 5, assim como a alternativa do compasso 60 comparada com a do compasso 13.  No geral, no tocante ao suingue, é bom evitar começar e/ou terminar a frase sobre o tempo, priorizando a síncopa e o contratempo.

Este é um assunto que gera resultados práticos imediatos, tanto no desenvolvimento da musicalidade como na sua aplicação imediata sobre a improvisação. Porém, tocando repetidamente como está no playback, fica um pouco (bastante) entediante...mas, paciência! o esforço valerá a pena.


 Ouça o playback do Exemplo 1 
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 Clique aqui para ver a partitura (grande)

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 Ouça o playback do Exemplo 2  . 

 Clique aqui para ver a partitura ( página 1, grande)

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 Clique aqui para ver a partitura ( página 2, grande)

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